Algas marinhas e processos fotográficos.

Mesmo tendo vivido no século XIX, período em que a presença de mulheres na ciência era restrita, Anna Atkins utilizou a técnica da cianotipia para catalogar uma coleção de algas marinhas, empregando esse processo como ferramenta de apoio na documentação de suas descobertas científicas.

A técnica foi apresentada a ela por um também cientista e amigo da família, John Herschel, e logo Anna criou uma série de fotogramas feitos com cianotipia, a qual ela nomeou Photographs of British Algae: Cyanotype Impressions — também conhecido por ser o primeiro livro com fotografias impressas.

Essa série de fotogramas se revelou como um processo híbrido entre a ciência e a fotografia experimental. Sem de fato portar uma câmera em mãos, o que antes era catalogado através de suas ilustrações botânicas, evoluiu para um processo químico de representação da vida natural.

A série de coleções herbárias de Anna Atkins, realizadas por meio da cianotipia, consiste na exposição do espécime à luz sobre um papel fotossensibilizado por uma camada de sais de ferro. A oxidação desses sais em contato com a luz forma o azul presentes nos fotogramas abaixo.

Atkins nos revela que a fotografia se transforma a partir dos métodos que exploramos. De todo modo, mesmo tendo vivido em uma época em que a presença de mulheres na ciência era mais restrita, ela representou a natureza a partir de seu próprio ponto de vista, utilizando diferentes ferramentas — como ilustrações, fotogramas e cianotipia — e fazendo uso da fotografia como instrumento científico.

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A arte híbrida de Kunié Sugiura.