Formas orgânicas, Karl Blossfeldt e a fotografia como ferramenta de estudo.

Assim como Anna Atkins, o professor de escultura Karl Blossfeldt inicialmente utilizava a fotografia muito mais como ferramenta de estudo, catalogação e observação do que como expressão artística no sentido tradicional.

Tudo começou como um experimento para ensinar sobre escultura e design aos seus alunos. Utilizando plantas que ele mesmo coletava na natureza, ele acreditava que as formas delicadas dos espécimes se revelavam poderosas em larga escala, com suas texturas e formas diferentes.

“Blossfeldt revelou formas e estruturas que se assemelham às formas da arquitetura humana e outros estilos artísticos ao longo da história, sugerindo que a arte se espelha no design da natureza. E a natureza, porque dá às suas criações formas específicas, essenciais e eficientes para garantir sua existência contínua, pode ser vista como criadora de sua própria arte: uma arte funcional baseada na sobrevivência.

— Karl Nierendorf- Art Forms in the Plant World.

As ampliações botânicas de Karl Blossfeldt continham estruturas perfeitas que poderiam inspirar arquitetura, escultura, tipografia e design. Suas imagens eram quase “modelos” visuais para estudo formal.

Mesmo não sendo fotógrafo, ele criou câmeras caseiras e sistemas de ampliação para fotografar as flores e plantas que coletava, e seu método acabou revolucionando a maneira como a natureza podia ser observada fotograficamente.

Como as imagens eram em preto e branco, a informação visual deixava de vir da cor e passava a existir através da luz, do relevo e da textura. O contraste forte fazia com que cada nervura, dobra, espinho e curva das plantas ganhassem presença.


Como se a luz substituísse a cor.

As sombras profundas davam peso e volume, enquanto as altas luzes desenhavam as estruturas da planta com precisão, o que evidenciava ainda mais cada textura ali presente.

Eu, particularmente, sou apaixonada por fotografia “tátil”, do tipo que a gente consegue sentir como se estivéssemos tocando, e, quando vi essa coleção do Karl, me vi super curiosa em estudá-lo.

Além disso, me encanta ver que a fotografia quase deixa de ser apenas representação e passa a funcionar como instrumento de investigação, um método científico. Ele usava a câmera como uma forma de ampliar o olhar humano, quase como um microscópio.

A união perfeita entre arte, documentação e ciência.

Quanto mais objetiva parecia a abordagem dele, mais cunho experimental e abstrato era percebido. É uma fotografia que documenta, mas, ao mesmo tempo, transforma a percepção do objeto documentado.

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